Segundo revela O Estado de S. Paulo, esta obra marca também o seu retorno à não-ficção ao relatar, na primeira pessoa, a sucessão de dúvidas sobre a sua fé que o atormentou em 2006. Não foi algo passageiro ou fugaz - Coelho mostra que, para se reaproximar de Deus, era preciso reavivar experiências, como viajar e buscar novas formas de conexão com as pessoas. Assim, comungando com a observação de Borges («O que a eternidade é para o tempo, o Aleph é para o espaço»), o escritor empreendeu, entre Março e Julho daquele ano, uma grande peregrinação pela Europa, Ásia e África a fim de decifrar os mistérios que incomodavam seu íntimo.
A motivação veio de J., seu mestre espiritual: «Está na hora de sair daqui, reconquistar o seu reino.(…) A fé não é algo estático, mas uma dinâmica constante», diz Coelho numa entrevista divulgada pela Sextante - o escritor ainda não conversou com a imprensa por se encontrar em mais uma peregrinação por Santiago de Compostela. «Portanto, eu não chamaria a isso crise, mas um comportamento normal, com altos e baixos. Uma fé que se cristaliza perde o seu sentido e transforma-se em fanatismo. A fé cresce quando é alimentada pela dúvida e pelos questionamentos interiores.»
Durante a peregrinação, realizada principalmente pela Transiberiana (rede ferroviária com mais de 9 mil quilómetros que liga a Rússia europeia com as províncias do Extremo Oriente russo, Mongólia, China e Mar do Japão), o escritor descreve o esforço de se despir de seu ego e orgulho para se abrir a sentimentos mais nobres como amor e perdão.
«O Aleph» marca a volta de Paulo Coelho às origens, especialmente em obras como «O Diário de Um Mago» e «O Alquimista», que revelam o seu fascínio pela busca espiritual. Para os detractores, porém, o novo título é uma tentativa de resgatar tempos gloriosos, ameaçados pelos últimos livros de ficção que não venderam tanto como de costume. Seja qual for o ponto de vista, Coelho continua a atrair muitos leitores, contabilizando mais de 135 milhões de exemplares vendidos em toda a sua carreira. Detalhe que não escapa à Sextante, que antecipou a venda de «O Aleph» para os fãs do escritor, além de colocar no mercado 200 mil cópias como tiragem inicial. |