«Dia e noite», é o filme no qual Tom Cruise e Cameron Diaz voltam a encontrar-se no ecrã, agora, numa mistura de acção, comédia, romance… e muitos efeitos especiais. É uma das grandes apostas do Verão cinematográfico.
Segundo escreve João Antunes no Jornal de Notícias de hoje, parece uma história e um conceito originais, mas não será bem assim. E, aliás, ninguém se importará muito com isso. Quando se tem em quase todas as cenas um Tom Cruise e uma Cameron Diaz a encher o ecrã, ou o espaço dele que não está preenchido por efeitos especiais e imagens geradas por computador, quem se importa muito com a verosimilhança da história?
O filme chama-se, em Português, «Dia e noite», versão redutora de um intraduzível «Knight and day», trocadilho entre as expressões«“cavaleiro» (knight) e «noite» (night), lidas da mesma forma no Inglês original.
O «cavaleiro» do filme, um Tom Cruise a meio caminho entre a sua personagem da trilogia «Missão impossível» e um James Bond menos aristocrático, é um agente especial perseguido sabe-se lá porquê – e, na melhor tradição clássica do género, nem isso importa.
O que realmente importa para a acção, e para quem compra o bilhete de cinema, é que, na sua fuga a quem o deseja eliminar, dá de caras com uma bela loira, que passará a ser a sua «dama», acompanhando-o num percurso de sobrevivência, agora mútua, que os levará a viver as mais inacreditáveis e espectaculares aventuras…
Tom Cruise, talvez a maior mega-estrela da Hollywood de hoje, e que completou há dias 48 anos, não tem tido nos últimos tempos uma actividade tão regular como no passado. Basta dizer que o seu anterior trabalho, «Valquíria», data já de há dois anos.
Aliás, prossegue João Antunes no JN, após o processo de quase reclusão a que Stanley Kubrick o obrigou antes da estreia de «De olhos bem fechados», em 1999, não se verificara em nenhuma ocasião, como aconteceu em 2009, um ano sem a estreia de um título de elevado perfil protagonizado por Cruise. Não deixa de ser curioso que, após essa relativa ausência dos ecrãs, o actor tenha escolhido regressar com um filme de risco baixo como «Dia e noite».
De qualquer forma, podem descansar os fãs, o actor já se encontra em pré-produção do quarto capítulo da saga «Missão impossível».
São ligeiramente diferentes o percurso e as ambições de Cameron Diaz. Dez anos mais nova do que o seu novo parceiro de tela, e apesar de ter sido transformada também em heroína de filmes de acção, através do díptico «Anjos de Charlie», e da sua presença em filmes com a assinatura de Martin Scorsese («Gangs de Nova Iorque»), Oliver Stone («Um domingo qualquer») ou Cameron Crowe («Vanilla sky», em que se cruzou pela primeira vez com Tom Cruise), Diaz assume com naturalidade o perfil de loura de serviço em comédias românticas, em que os seus admiradores a gostarão mais de ver.
Sintomático de uma certa exigência de qualidade a colocar no projecto, além das tecnologias de ponta associadas aos efeitos especiais, é a presença de um realizador como James Mangold, um autor quase nos antípodas de um Michael Bay, e o convite para o papel de secundários a gente com o talento de Viola Davis (a notável mãe de «Dúvida»), Jordi Mollà (o catalão que já trabalhou com Almodôvar) ou Peter Sarsgaard (actor de tantos filmes de culto, como «Os rapazes não choram» ou «Uma educação»).